quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Cinco dias

Minha cidade em que cresci já não é tão doce assim. Do doce se fez o amargo, dos amigos se fez a distância, das risadas e brincadeiras se fez a desconfiança, do carinho familiar se fez a discordia. Das viagens em que sonhavamos não sou convidada, das noites dançantes não há companhia. Cada dia é como um sopro. Eu passei para a minha cidade. Ela continua no mesmo lugar, mas tudo mudou em mim, nas pessoas que eu conhecia, nos lugares que ia.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Cinco dias estudando para minha última e esperada prova, aquela do perrengue, dos quarenta e cinco do segundo tempo. Como até hoje foi, tudo ocorreu bem e as férias chegaram. Foram dias bem tranquilos, sem a paranóia do semestre passado. Me ocorreu que esse segundo ano de faculdade passou muito rápido, o que não me causa preocupação. Estou entrando em uma fase de maturidade na minha profissão estudantil.
Um fato MUITO importante ocorreu também essa semana. Está à caminho uma princesa, ou um príncipe. O primeiro papai dos meus amigos! Vou ser titia e estou toda boba!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Estou cansada de esperar.
Já estou pronta para deixar minha cidade, sem extremos, mas com o direito de ir e vir. Foi uma decisão minha, partiu de lá, bem fundo, fazer estágios por aqui todo período de férias. Não preciso mais de férias, dois meses de desentendimentos, confusões. Saí do teen, vinte e um está próximo, está na hora de responder por minhas escolhas e correr atrás, me apropriar da minha vida. Não sei como será depois da virada do ano, o desconhecido sempre assusta. Você chega, não conhece a personalidade das pessoas, seus detalhes, manias, mas aos poucos vai ficando fácil se aproximar delas. Assim será.
Incredulidade nas reações, nas respostas, em mim. Vejo passar pela minha frente momentos raros e reclamo, e por outros segundos dou valor por reconhecer que pode ser que jamais ocorram outros parecidos. Estou deixando o que tem de pior das situações me cegar. A dor de um passado, a inconstância do futuro e o presente absurdo. Família.
Amanhã se passará os mesmos sentimentos do abandono, da saudade, do corpo a corpo diário ausente, nesse lugar diferente que hoje estou. Já sou daqui, e se não houver oportunidades, para lá não voltarei. Assim mamãe diz. Mas sou de qualquer lugar, aprendi as mil facetas com a vida que fui jogada para levar. Lições de vida sem reconhecimento próprio. Acho que para quem vive os fatos são considerados normais depois das tempestades, e para quem não vive os mesmo fatos são fantásticos em um momento e logo esquecidos no próximo.
Saber quem eu sou? Não quero mais.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

As vezes amo tanto que choro. Sei que não é pelo amor em si. As vezes sofro tanto que dói. Tem dia que a cabeça roda de tanto pensar e a boca emudece, criando um sufoco, uma limitação em que nada é realizado. Quando o carinho e a atenção são reduzidos a migalhas você se corrói. São passos e pessoas, tudo explodido em volta, mas por dentro é mais forte. Não sei mendingar, mas já fiz tanto que agora qualquer atitude é passível de uma análise minuciosa e desconfiada. Prestes a pular.